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Praia e Natureza

Trilha do Morro do Leme: subindo até o Forte Duque de Caxias

L Equipe do Blog do Leme
12 de julho de 2026  •  4 min de leitura

Todo bairro devia terminar assim. A Avenida Atlântica acaba na Praça Almirante Júlio de Noronha, onde os pescadores passam a manhã debruçados na mureta, e é ali, atrás da guarita do Exército, que começa a subida do Morro do Leme. Em meia hora de caminhada à sombra, você troca o burburinho da orla por mata fechada, mico atravessando o caminho e um forte do século XVIII com uma das vistas mais generosas do Rio.

Uma trilha que cabe em qualquer rotina

Chamar de trilha é quase exagero. O caminho até o alto é uma ladeira calçada de pedra, com cerca de 800 metros, que sobe em curvas suaves quase o tempo inteiro debaixo das árvores. Não tem trecho técnico, não precisa de bota nem de preparo especial: tênis comum resolve. Vejo de tudo por lá — gente de setenta anos no passo tranquilo, criançada correndo na frente dos pais, morador subindo de fone no ouvido como quem vai comprar pão.

A sombra é o grande trunfo. Mesmo no verão, a mata segura o sol em quase todo o percurso, o que torna a subida honesta até no meio do dia. Ainda assim, leve água: a ladeira é constante e não tem onde comprar nada no caminho. No ritmo de quem para pra olhar bicho, são uns vinte, trinta minutos até o topo.

A mata e os micos

O morro inteiro fica dentro da Área de Proteção Ambiental do Morro do Leme — que abrange também o Morro do Urubu e a Ilha de Cotunduba —, um naco de mata atlântica encravado entre os prédios e o mar. É daí que vem a graça do percurso: saguis descem pelos galhos para inspecionar quem passa, borboletas grandes cruzam a ladeira e, com sorte, aparece até tucano — a poucos quarteirões do calçadão.

Não alimente os micos. Parece carinho, mas comida de gente adoece os bichos e os deixa atrevidos com todo mundo que sobe depois de você.

O forte do século XVIII

Lá em cima está o Forte Duque de Caxias, que começou a ser erguido em 1776, por ordem do Marquês do Lavradio, para vigiar a entrada da barra numa época em que o medo era invasão vinda pelo mar. Nasceu, aliás, como simples posto de vigia, sem artilharia — os canhões vieram com as reformas das décadas seguintes e seguem apontados para o oceano, e dá para circular por tudo com calma. A história completa do forte rende conversa longa e fica para outro texto; aqui o que importa é que o conjunto está bem conservado e a visita é fácil de fazer.

A vista lá de cima

É o tipo de vista que reorganiza o mapa mental que você tem da cidade. Copacabana aparece inteira, de ponta a ponta, numa curva só. O Pão de Açúcar fica quase na altura dos seus olhos, num ângulo que pouca gente conhece. Para o outro lado, mar aberto e os navios enfileirados esperando a vez de entrar na baía. Em dia limpo, dá para passar uma hora ali em cima só apontando lugares.

Como funciona a visita

A área é administrada pelo Exército — o morro abriga o Centro de Estudos de Pessoal e Forte Duque de Caxias, o CEP/FDC — e por isso a visita tem hora marcada e regras de quartel, no bom sentido: portão pontual e tudo organizado.

  • Funcionamento: de terça a domingo, das 9h30 às 16h30, com última entrada por volta das 16h.
  • Ingresso: pago e barato — R$ 10 a inteira, R$ 5 a meia, e às terças a entrada é gratuita. O pagamento é em dinheiro ou Pix, sem maquininha; os valores mudam de tempos em tempos, então confirme antes de ir.
  • Grupos grandes e escolas: visita guiada mediante agendamento prévio.
  • Leve água, protetor solar e o celular com Pix ou dinheiro vivo — e guarde um tempo extra para descer sem pressa.

Para quem mora aqui, a subida vira hábito: tem vizinho que faz a ladeira como exercício, tem quem suba só para ver o movimento dos navios. Para quem vem de fora, é o passeio de meio período mais fácil de encaixar num roteiro de Zona Sul. De um jeito ou de outro, o bairro fica maior depois que você o vê lá de cima.

Foto de capa: O Forte Duque de Caxias, no alto do Morro do Leme. Foto: Marcio Metello / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

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